Hoje não tenho mais o medo de aranha, não tenho mais medo de fantasmas, de avião, bem menos dessa minha solidão.
Tenho medo é deste meu amor, meu medo é de ti. Pois acabei perdendo minhas asas, meu inigualável que perdeu seu prefixo.
Virei esquizofrênica sem ilusão, me tornei apenas a moldura de um quadro raro.
Nasci adulta, sem o que eles chamam de inocência.
Vejo através de um óculo escuro que torna tudo repetitivo.
Minha televisão não mais presta, assim como meu rádio, e meu telefone agora é sem fio.
Carrego uma bagagem cheia, que pesa mais ainda quando eu tenho a certeza que estou levando-a para direção errada.
Meu espelho reflete a imagem de um rosto que paralisou há alguns anos.
A música em minha cabeça repete toda vez que fecho as portas a alguém.
Me sinto mortiça por alguns minutos de vários dias do mês que se tornou ano, mas daí eu percebo que ainda enxergo o colorido.
Aprendo a história que não me interessa e a física que não sai da teoria.
Tento dirigir só para ver se algo sai do lugar errado.
Enfim... Deve ser porque estou voando acordada com os pés no chão.
Ah, é o amor.
(Anna Yllya)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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