quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Desordem


Minha alma é um poço d'água,
água que choro para dentro,
invadindo minh'alma,
aprisionando-me em sofrimento.

Óh, miserável aquele que brincou
com meu
puro,
primeiro amor.
Meu jovem coração, que dor
tamanha aquela não merecia não.
Com o coração na mão fiquei,
chorei.

(...)

E a água que molhou minh'alma,
molhou junto o coração.
Palpitou, palpitou.
Desistiu, e alí se fechou.

E o tempo foi passando,
alma inundada,
coração em meio d'água
enferrujou.
Ninguém o tirou. Parou.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lúcido

Talvez eu esteja flutuando
te tocando sem sequer te sentir
Talvez não estejamos aqui,
estamos em um céu qualquer
que inventamos...

Talvez esse inreal seja verdadeiro
mas nossos corpos estão ali, parados
eles não se mexem de jeito nenhum
nem consigo sentir o seu cheiro..

Nossos olhos estão fechados, mas estamos acesas
desse jeito, vagando sobre ondas
criamos um mundo luminoso
E eu não consigo mais pensar, no que quer que seja...

(Por Fernanda Melo, para mim.)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

E estaremos



Te conheci em meio a multidão,
eras só mais uma de franja e cigarro na mão.
E assim também eras outra,
mais uma,
outra vez falando "prazer em te conheçer".
E tendo razão que só serias outra
desconhecida conhecida,
só mais outro ser.

(...)

Mas aqui estamos, a cantar,
a sorrir, a beber,
a contar histórias,
dançar e se conheçer, mais e mais.
E vi que a razão nem sempre tem razão,
e que dessa vez, como Amarante já dizia:
O acaso foi amigo do meu coração.
(Para Fernanda Melo)